sábado, 22 de julho de 2017

Simbiose























Além dos limites que me delimitam:
A pele de meus dedos que ao sabor do toque
Endoidecido decido para o que nunca mais
A dor resplandecente do porvir seja e sempre seja
A minha morada na tua carne em simbiose
Para que juntos fiquemos a olhar o pôr do sol.

Mas caberá à pele de meus dedos
Sorver a alvura da tua epiderme.
E o calor das tuas células em ebulição
Cabendo ao meu faro de poeta
Olvidar o passado
Passando a prever o futuro
Dos teus aos meus dedos em frescor.

Mas sou eu réu frente ao júri e ao juiz
Do universo todo contido em meu canto
E este ninho de rancor em sua partida
O medo arguto da derradeira despedida
Torna-me o ser mais vil do mundo todo
Porque egoisticamente perante a vida
Quero-te eternamente junto a mim
Quero-te sim comigo do sempre ao sempre

Com a voz rouca e a pele flácida dos anos
Consumir o amor e as rosas e o vinho
Para mais tarde sermos consumidos em nós mesmos

No limite da pele, adentrando nossas células simbiontes.

(22.VII.2017 — Ijuí)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Presença




















Para o tempo em ti meu peito aberto
Sem me esquecer jamais do teu carinho
Que loucamente anuncio meu destino
Dar-te para sempre minha alma ao teu ninho.
Se cabe em ti minha alma inteira, que
Em teus beijos minha carne sucumbia
Mas cabe ao tempo, esse operário da vida
Desfigurar minha voz e a tua, desencontrar-nos.
Dou-te em louvores este poema nascente
Para que te lembres de mim ao ocaso da mente
Mas em finitude, o brejo das dores, que antes
E mais agora, ainda, dói-me a corrosão latente
Dos sonhos. Teus braços a enlaçar-me no passado
É o sentir-me vivo no presente. Aurora finalmente
É o meu presente a ti, este poema, que vivo será
E eternamente a ti ele diz respeito: sou teu.
Sou teu na manifestação do desejo de mais.
Sou teu, sou teu, sou teu além da vida e das palavras
Aladas destes versos que cantam a dor e a alegria
Sou teu, para sempre teu, pois minha alma sempre foi tua.


(23.VI.2017 – Ijuí)