quarta-feira, 30 de julho de 2014

DUALIDADE

Se dissesses a mim que o humano se faz ordem,
e que a casa é nossa:
eu deveria crer?

Se a manhã transpassa a claridade para minha cama
(para o meu lado da cama;
para a dita cama que supostamente é nossa)
eu deveria ver o teu corpo nu entre o lençol de seda?

O incompossível de minh’alma
na luta noturna entre os corpos
fazendo ordem direta do querer permanecer;

e a labuta corriqueira se tingindo de negra
para me abastecer a pura essência com menos cores.

Se dissesses a mim que o meu passo iguala-se ao seu
eu deveria crer?

Se no cotidiano, ao café da manhã,
derramasses em minha camisa branca
uma xícara de café:
eu não explodiria de raiva?

A luta árdua de nossos corpos
ligados por algo inexplicável, inexprimível.


(15/07/2014 – Ijuí)

sábado, 5 de julho de 2014

ASSASSINO

Como trilho o mundo?
Caminhando vou ao meu fim
por me ver no Amor em ato profano
de bendizer o mal que há em mim.

Sem nada de mais,
vou amando e assim dilacerando a alma:

cabisbaixa,
irrequieta,
sangrenta.

Por ter do Amor tirado o sumo:
este afinado veneno do corpo humano;

e nada, nem ninguém deporão contra mim
o ato profano de um Amor visceral
por tê-lo eu vivido outrora
negando minha vida pela dela
e destruindo, em mim, minha própria alma.

Diz-se celeste esta podridão que habita a Terra!
A mão que agora afaga, virá a atirar pedras;
se na roseira há belezas: os espinhos também são dela;
e do Amor, que tenho eu, senão ferida aberta?

Do Amor que me cativa
é a Morte certa nesta vida.
Nego o Amor. Sempre o negarei para assumir a história
de estar preso e sem ação

incendiando ainda mais esta canção profana.


(05/07/2014 – São Paulo)