sábado, 7 de setembro de 2013

PASSAGEM

É
A maldita chance de felicidade, de estar feliz
(Mediocridade)
Não hei de ser feliz, que outrora fui, mas não me senti.

E nesse caso de doutrinas felizes, compactuadas
Nos vícios do sangue
Fiz-me hoje, e vos digo que não tardarei a sumir
Por tempo indeterminado, mas ponho
Nas palavras do dia, escrituras de vísceras e de raça.

Vejo-o
Reflexo em espelho barato
Para, com uma espuma barata, barbear-me.
Deixo por sobre a cama a minha roupa mortuária.
Já posso sentir o fio da navalha em meu pescoço, deslizando
E percebo o sangue jorrando em cachoeira rubra cintilante.
Nada mais faço, pois a felicidade passou por mim
Mas não a senti.

Minha vida é muito pouca para felicidade.
Sou feito de material inflamável
E nunca deixei de acender o meu cigarro.
O sangue é meu início e meu fim.

(Ontem).

Hoje estou seco, tardo a arder
Há incandescência em meu sumo vital
O sumarento líquido de minhas artérias.
Eis que a vida passou por mim, e já me disse adeus.


(06/09/2013 – Ijuí)

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