quarta-feira, 25 de setembro de 2013

QUANDO VEM O AMOR

Suplico-te vida, Amor Maior, assim, humana
Formosura indistinta, misto de saudade e eloquência.
Fiz-me sólido, mesmo descontente do amor
E fiz-me mais salgado e rancoroso por dele
Não me couber o eternamente.

Por meio do ganido assim desigual e imperfeito
Mostro a pérola do peito congestionado
O interior da ostra, o grão de areia
A inflamação ao redor dos pontos cirúrgicos
E o maldizer de uma carta de desprazer e rompimento.

Que vens fazer aqui hoje, Amor Maior?

Se de saudades eu sofro tanto, é dela
Que hei de sorver o amargo fel
E é dela que hei de usufruir para que nela
Eu aplique o maior dos gestos. Amarei até —

Sem onde, nem quando, nem como.


(25/09/2013 – Santa Maria)

Um comentário:

  1. Poeta!
    Admirável a forma com que defines o amor. Amor maior como a areia que esta dentro da ostra a se transformar em pérola.
    Belíssima a forma de trazer esta figura transformação através da metáfora.
    Parabéns! Parabéns! Parabéns!
    Abraço
    Admirador

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